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Sismo de magnitude 3.5 registado ao largo do Algarve

Um sismo foi registado esta terça-feira, dia 9 de junho, pelas 17h10, ao largo do Algarve.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o abalo teve a magnitude 3.5 (Richter) e o epicentro localizou-se a cerca de 80 km a Oeste-Sudoeste do Cabo S.Vicente.

“Até à elaboração deste comunicado não foi recebida nenhuma informação confirmando que este sismo tenha sido sentido”, refere o IPMA, adiantando que, se a situação o justificar, serão emitidos novos comunicados.

Fonte: https://www.algarvemarafado.com/2026/06/09/sismo-de-magnitude-3-5-registado-ao-largo-do-algarve/
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Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência publicado em Diário da República

Plano prevê uma execução entre 2026 e 2034 e contempla “medidas de curto prazo com reformas e investimentos estruturais destinados a produzir impactos consistentes ao longo do tempo”.

O PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência) foi aprovado e publicado esta terça-feira em Diário da República (DRE) e o plano estende-se de 2026 até 2034 para “assegurar uma recuperação sólida” após as tempestades.

“O plano assenta na mobilização coordenada de recursos financeiros de origem nacional e europeia, enquadrada por princípios de responsabilidade orçamental, imposta pela limitação dos recursos e orientada para resultados”, lê-se na nota em DRE.

O plano prevê uma execução entre 2026 e 2034 e contempla “medidas de curto prazo com reformas e investimentos estruturais destinados a produzir impactos consistentes ao longo do tempo e a criar bases sólidas para o desenvolvimento futuro”.

O objetivo PTRR, de acordo com o Governo, é assegurar uma recuperação das populações, valorizando o território e garantido o “funcionamento dos sistemas públicos e privados essenciais, ao mesmo tempo que se reduzem vulnerabilidades e se reforça a resiliência para responder a crises futuras”.

Entre final de janeiro e meados de fevereiro de 2026, uma sucessão de fenómenos meteorológicos extremos atingiu Portugal continental, tendo provocado mortes e danos extensos em infraestruturas e ecossistemas naturais, bem como a destruição de milhares de habitações.

O plano vai ter um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros e foi anunciado pelo primeiro-ministro, Luis Montenegro, em fevereiro, após o comboio de tempestades que atingiu o país, entre janeiro e fevereiro, que provocou, pelo menos, 19 mortes, centenas de feridos e desalojados.

 

Fonte: https://observador.pt/2026/06/02/portugal-transformacao-recuperacao-e-resiliencia-publicado-em-diario-da-republica/

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Incêndios: 2026 é ano de risco extremo, com fogos em níveis inéditos e “El Niño” a agravar ameaça

Só entre janeiro e abril já arderam cerca de 150 milhões de hectares de floresta em todo o mundo, mais 50% do que a média registada neste período nos últimos anos

As alterações climáticas e o fenómeno El Niño impulsionaram a uma escala inédita o número de incêndios florestais em 2026. Só nos primeiros quatro meses do ano arderam cerca de 150 milhões de hectares em todo o mundo, mais 50% do que a média registada para este período e mais 20% do que o recorde anterior, estabelecido desde o início da monitorização global em 2012. Os números fazem parte de um balanço divulgado esta terça-feira pelo World Weather Attribution (WWA).

Só em África já foram destruídos mais de 85 milhões de hectares, o número mais alto alguma vez registado nestes quatro meses, desde que esta monitorização começou a ser feita, em 2012. Em vários países africanos, como o Mali, a Mauritânia ou o Senegal, o volume de área ardida não tem precedentes. A alternância de períodos de chuvas fortes, que fazem crescer a vegetação, com períodos de grande seca, propícios a fogos, provoca o chamado “efeito chicote climático”, que está a potenciar os incêndios na savana.

Segundo dados do Sistema Global de Informação sobre Incêndios, entre 1 de janeiro e 6 de maio deste ano arderam mais 53 milhões de hectares do que a média registada no mesmo período nos últimos 13 anos.

El Niño agrava perigo

É sabido que as alterações climáticas fazem aumentar a ocorrência de incêndios extremos. E o cenário deverá agravar-se ainda mais com a provável chegada do fenómeno El Niño, que tem origem no Oceano Pacífico e começa habitualmente na primavera, afetando a temperatura e o clima em todo o mundo.

Caso chegue em força, os especialistas alertam que a probabilidade de ocorrerem incêndios extremos será a mais elevada de sempre, uma vez que o nível de aquecimento do planeta nunca foi tão alto.

“A probabilidade de incêndios extremos e perigosos pode ser potencialmente a mais elevada da história recente se se desenvolver um El Niño forte”, afirmou Theodore Keeping, académico da universidade britânica Imperial College London, durante a apresentação aos jornalistas. Friederike Otto, outro investigador da instituição, sublinhou que esse desenvolvimento, combinado com a tendência para as alterações climáticas, resultaria em “extremos climáticos sem precedentes”.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, o clima na Terra está hoje “mais fora de equilíbrio do que em qualquer momento da história” e tudo indica que 2026 será um dos anos mais quentes de sempre.

Fonte: Expresso.pt

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Portugal acaba de esgotar os recursos naturais disponíveis para 2026

Esta quinta-feira, Portugal atinge o Dia da Sobrecarga. A associação ambiental ZERO deixou algumas recomendações práticas para ajudar a população a reduzir a pegada ecológica.

Portugal esgota esta quinta-feira, 7 de maio, os recursos naturais que tem disponíveis para 2026. Tal significa que se cada pessoa na Terra vivesse como um cidadão médio português, a humanidade precisaria de 2,9 planetas para sustentar as suas necessidades de recursos.

Os dados foram avançados pela ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em parceria com a Global Footprint Network, que relembra que, no passado, o país esgotou os recursos a 5 de maio. Portugal melhorou ligeiramente a sua pegada ecológica em comparação com 2025, embora, a partir do dia 7 deste mês, precise de começar a usar recursos naturais que só deveriam ser utilizados a partir de 1 de janeiro de 2027.

Há muitos anos que Portugal não consegue fornecer os recursos naturais de que precisa para manter as suas atividades, indica a ZERO. Em comunicado, a associação explica que o desequilíbrio ambiental resulta do modelo de produção e consumo associado ao estilo de vida dos portugueses, e aponta a alimentação e os transportes como os principais responsáveis. Refere, também, que a “dívida ambiental” portuguesa em 2026 se mantém em linha com a ocorrida em 2022 e 2023.

Como reduzir a pegada ecológica

Entre as principais medidas apontadas pela ZERO para reduzir a dívida ambiental portuguesa estão a aposta numa agricultura mais sustentável, que produza alimentos de qualidade, use menos água e aumente a produção de alimentos de origem vegetal; a redução de deslocações e viagens, através do teletrabalho e da realização de mais eventos online; o investimento em transportes mais sustentáveis, como a bicicleta e os transportes públicos; e a criação de regras que garantam que os produtos têm maior duração, e que podem ser reutilizados e reciclados.

De forma simplificada, cada cidadão pode contribuir ativamente para a redução da pegada ecológica, através de mudanças simples como reduzir a proteína animal na alimentação, movimentar-se de forma sustentável e consumir de forma mais circular (reutilizando produtos, ao invés de os deitar fora).

Portugal na média dos países da UE

O resultado coloca Portugal praticamente na média dos países da União Europeia (UE), que este ano teve o seu Dia da Sobrecarga a 3 de maio. Segundo a Global Footprint Network, o Dia da Sobrecarga do Planeta assinala a data em que o planeta entraria em sobrecarga caso toda a gente consumisse os recursos naturais da mesma forma.

A ZERO salienta que, este ano, o primeiro país da UE a atingir o Dia da Sobrecarga foi o Luxemburgo — a 17 de fevereiro —, enquanto o último deverá ser a Hungria — a 24 de junho. A nível mundial, o país que esgotou mais rapidamente os seus recursos naturais em 2026 foi o Qatar — a 4 de fevereiro —, e estima-se que o último seja as Honduras — a 27 de novembro.

Entre os países que consomem mais recursos do que Portugal estão, por exemplo, o Canadá, os Estados Unidos ou a Dinamarca, que atingiram o Dia da Sobrecarga em março. A Áustria, a França ou a Croácia começaram a consumir mais do que o planeta consegue repor em abril. Já a Alemanha, o Chipre, o Reino Unido, a Grécia e a Espanha, por exemplo, são países mais sustentáveis do que Portugal, dado que só deverão atingir o Dia da Sobrecarga a 4 de junho.

O Dia Mundial do Ambiente é celebrado a 5 de junho, data em que a Global Footprint Network vai divulgar o Dia da Sobrecarga do Planeta de 2026, isto é, o dia em que a humanidade já consumiu mais recursos naturais do que a Terra consegue regenerar nesse ano.

Em 2025, a humanidade esgotou os recursos desse ano a 24 de julho, uma semana mais cedo do que em 2024, que foi a 1 de agosto.

Fonte: Euronews.com

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100 dias depois da “Kristin” e o verão à porta: é mesmo preciso ter um kit de emergência em casa?

Com o carrossel de tempestades, especialistas e forças de segurança recomendaram aos portugueses a criação de kits de emergência. O conselho ainda se mantem: “As pessoas têm de conseguir garantir a autossuficiência temporária em situações de catástrofe”

A tempestade “Kristin” obrigou as famílias a repensar a forma como se preparam para o inesperado. Nos dias que se seguiram à intempérie, foram várias as casas que passaram a ter kits de emergência. Mas há quem ainda não saiba como se preparar para este tipo de fenómenos. Ainda assim, 100 dias depois, a adoção de “medidas preventivas” continua a ser recomendada. “É um dever cívico e familiar as pessoas prepararem-se para responder às catástrofes naturais”, defende a economista da Deco, Ana Passos.

Mas como? O primeiro passo é garantir alguma autossuficiência temporária. “Em situações de catástrofe, os serviços de emergência podem estar fraturados e as famílias têm de estar prevenidas para sobreviver, sobretudo, nas primeiras 72 horas”, explica a especialista. Isto passa pela “constituição de um kit de emergência”, que deve ser encarado como “uma unidade de cuidados imediatos”.

Os kits devem ser pensados para cenários de “evacuação rápida”. “Em caso de cheias ou outras catástrofes, as pessoas têm de ser capazes de agarrar nas mochilas e sair”, retrata Ana Passos. Por isso, recomenda-se que sejam guardadas em segurança, por exemplo, em locais mais acessíveis e próximos da saída de casa.

kit tem ainda de ser criado, prevendo-se falhas de energia. E para estas situações é fulcral a existência de lanternas, de rádios, power banks e de pilhas. “É ainda importante considerar comida não perecível, água potável, medicamentos, mantas térmicas e agasalhos”, acrescenta.

As pessoas são igualmente aconselhadas a reunir os documentos mais importantes — como cópias dos cartões de cidadão, boletins de vacinas, receitas médicas, de seguros, da escritura da habitação e cópias dos contratos de arrendamento — e guardá-los em sacos impermeáveis dentro das mochilas. Junto a estas informações devem ainda constar contactos úteis, quer de familiares, companhias de seguro, autoridades, como dos bancos, descreve Ana Passos.

Além disso, é ainda indicado guardarem nas mochilas uma foto de rosto de cada membro do agregado familiar, um inventário dos bens que têm em casa e uma chave suplente do carro e da habitação.

A esta lista, a Guarda Nacional Republicana (GNR) adiciona um kit básico de primeiros socorros, calçado resistente, produtos de higiene pessoal e sacos de lixo, e ainda um apito, canivete e um mapa. Já a Cruz Vermelha propõe um kit que engloba adicionalmente uma pulseira multifunções, barras luminosas e um espelho para sinalização, uma garrafa e pastilhas de purificação de água.

Dinheiro vivo e pé-de-meia

Será conveniente também ter dinheiro vivo para as primeiras 72 horas. Cerca de 70 a 100 euros por pessoa para necessidades imediatas”. Idealmente, reforça a especialista, em “moedas e notas pequenas”.

No entanto, estas quantias poderão não ser suficientes para que todos consigam responder às despesas mais avultadas. E, para estas situações, as famílias deveriam ter um pé-de-meia. “Pode ser preciso dinheiro para as necessidades não imediatas: para alojamento temporário ou até para franquias de seguro”, exemplifica a especialista, explicando que “o ideal” é que cada família tenha um fundo de emergência equivalente a três a seis meses de despesas, “facilmente mobilizável”.

Nas casas em que há animais de estimação, também poderá ser necessário preparar um kit de sobrevivência específico – com bens essenciais e a documentação mais importante.

Depois de os kits estarem preparados, o foco terá de passar pelos seguros de habitação e de vida. “As pessoas têm de verificar se os seguros de habitação cobrem tempestades, inundações ou fenómenos sísmicos, se a cobertura está ativa e quais as franquias, já que, normalmente, neste tipo de seguros o que está coberto são os incêndios”. Quanto ao seguro de vida, precisam de perceber em que situações é acionada a cobertura e se estão definidos os beneficiários na apólice.

Uma outra medida que não pode escapar é o planeamento de “locais de encontro” para que todos se consigam reunir caso não estejam em casa no momento em que os fenómenos naturais batem à porta.

As pessoas devem ainda “ter o cuidado” de rever o kit de emergência de seis em seis meses e verificar a validade dos produtos alimentares.

Ana Passos deixa mais conselhos para o pós-catástrofe. Os cidadãos são aconselhados a documentar os danos causados nas respetivas habitações e a avisar as seguradoras “o mais depressa possível”. “Quem tem crédito à habitação, deverá contactar imediatamente o banco e informá-lo da situação, explicando que poderá haver o risco de incumprimento, uma vez que existem mecanismos legais que poderão ajudar”, aponta.

E alerta ainda para o uso dos cartões de crédito: “Deve-se evitar recorrer ao cartão de crédito, porque é o crédito mais caro que existe em Portugal. Mesmo em situação de necessidade ou emergência, o melhor é recorrer ao fundo de emergência”.

Fonte: Expresso.pt

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Médio Tejo debate resposta do SNS a fenómenos climáticos extremos

Seminário online gratuito, a 8 de maio, reúne saúde, proteção civil e autarquias. Em destaque: modelo preditivo local e plano de resposta coordenada a intempéries.

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo promove na sexta-feira, 8 de maio, uma conferência online dedicada à antecipação e resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a fenómenos climáticos extremos, anunciou a organização.

A iniciativa, organizada pela Unidade de Saúde Pública da ULS Médio Tejo, com sede em Torres Novas, distrito de Santarém, pretende “promover a reflexão e a partilha de conhecimento sobre a capacidade de preparação do SNS perante fenómenos extremos”, como tempestades, cheias ou ondas de calor, refere a entidade, em comunicado.

Segundo a organização, o seminário colocará em destaque o trabalho desenvolvido na região, nomeadamente “um modelo preditivo local de temperaturas extremas” e um plano de coordenação que articula o SNS com proteção civil, autarquias e setor social.

“Este plano permite uma resposta mais coordenada às diferentes dimensões e consequências destes eventos climatéricos, cada vez mais frequentes”, indica a mesma fonte.

O encontro surge após episódios recentes de mau tempo que afetaram a região e o país, associados ao chamado “comboio de tempestades”, reforçando a necessidade de preparação dos serviços de saúde para situações de crise.

De acordo com a ULS Médio Tejo, o programa abordará temas como sistemas de alerta, modelos de previsão e planos de resposta sazonal, incluindo a experiência concreta da região na resposta às recentes intempéries.

A conferência contará com a participação de responsáveis institucionais da área da saúde, proteção civil e ordens profissionais, entre os quais a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.

A organização sublinha que a iniciativa visa também “reforçar o papel da Saúde Pública na antecipação de riscos, na preparação dos serviços e na articulação entre entidades”, contribuindo para uma resposta mais eficaz do SNS aos impactos das alterações climáticas na saúde.

A participação no seminário é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia, através de um formulário online disponibilizado pela organização.

A ULS Médio Tejo gere três hospitais — Abrantes, Tomar e Torres Novas — e 35 unidades de cuidados de saúde primários, dando resposta direta a cerca de 170 mil utentes nos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Tomar, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha e Vila de Rei, nos distritos de Santarém e Castelo Branco.

 

Fonte: Observador.pt

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1 ano do grande apagão — estaremos mais preparados?

“Parecia que o mundo estava a acabar”: um ano depois do apagão, estaremos mais precavidos?

Há um ano, Portugal ficou às escuras durante várias horas. O episódio apanhou muitos desprevenidos, sobretudo o Governo, que identificou várias “fragilidades”. Um ano depois, o que é que se aprendeu? A Euronews foi perceber junto dos portugueses como é que hoje em dia se preparam.

Há um ano, pelas 11h33, hora portuguesa, muito provavelmente não conseguiria estar a ler esta notícia. Uma falha elétrica, com origem no país vizinho, deixou Portugal e Espanha às escuras durante várias horas.

O incidente levou Bruxelas a ativar a sua estratégia de resiliência, recomendando a preparação de um kit de emergência para garantir a sobrevivência durante pelo menos 72 horas. Água potável, alimentos não perecíveis, primeiros socorros, lanterna ou rádio a pilhas fazem parte da lista.

Um ano depois, se a história se repetisse, estariam preparados? A Euronews foi perceber se as pessoas tomaram alguma medida após o apagão, como ter um kit de sobrevivência em casa.

“Convém estarmos sempre preparados com o nosso kit e sabermos viver sem tecnologias, sem estarmos constantemente ligados à internet”, partilhou Mariana, de 20 anos, que, por ser escuteira, já tem esta “veia de sobrevivente” e em casa já possui vários elementos do kit, como rádio e pilhas prontos a usar.

Manuel Oliveira, de 77 anos, recorda o dia de forma tranquila, explicando que já tinha muitos dos elementos que considera essenciais. “Tenho sempre velas, também tenho um rádio a pilhas e enlatados”, diz. À Euronews diz que conseguiria sobreviver se hoje se repetisse o apagão, mas não por “mais de uma semana”. Ainda assim, considera que “há muita gente que está desprevenida e não tem nada em casa e, depois, fica aflita porque não tem o que comer, não tem luz, não tem nada”.

Muitas pessoas que falaram com a Euronews assumiram não ter feito qualquer kit de emergência, embora tenham artigos que lhes permitiriam sobreviver. “Tenho conservas, dinheiro em casa, só não saberia notícias porque não tinha o rádio”, diz Sónia, uma lojista.

Já Filomena Nobre, aposentada, confessou ter preparado o seu kit de emergência depois do que aconteceu. “Comprei um rádio de pilhas e tenho sempre pilhas suplentes em casa”, começa por dizer. “Além disso, também me preparei para um possível tremor de terra e fiz uma mochila com cobertor, apito, pilhas e outras coisas”, acrescenta.

Uma das preocupações que também teve foi a refrigeração dos alimentos e, por isso, hoje em dia tenta ter menos comida no congelador.

Luís Latas, também reformado, lembra que estava de férias e tinha o carro abastecido, mas correu ao supermercado para comprar papel higiénico, garrafas de água e abastecer a despensa. “Parecia que o mundo estava a acabar”, diz. “Sem telemóveis, sem nada, as pessoas entram em pânico”, comenta.

Para Luís, também é importante que o Governo tenha soluções para que situações como estas não voltem a acontecer. “As câmaras municipais, juntas de freguesia e o Governo têm de pensar em ter geradores, como há nos centros comerciais, em determinados sítios”, diz.

Grupo de trabalho sobre o apagão

A quebra de energia ocorrida às 11h33 do dia 28 de abril de 2025 motivou não só mudanças de comportamento nas casas dos portugueses, mas também a adoção de medidas por parte do Governo, como a criação do CORGOV e de um grupo de trabalho parlamentar, do qual foram retiradas “lições”, como afirmou António Leitão Amaro, ministro da Presidência, na última audição, realizada na quinta-feira, 23 de abril.

O ministro da Presidência recordou as primeiras horas do Governo, no dia 28 de abril de 2025, e enfatizou que a prioridade foi “dar apoio, socorro e garantir a continuidade dos serviços mais vulneráveis e mais decisivos para as condições de vida das pessoas, começando naturalmente pelos serviços de saúde”.

Leitão Amaro reconheceu fragilidades e afirmou que “o país precisa de fazer mais”. Nesse sentido, o Governo tem medidas previstas para apresentar no “Programa de Transformação, Recuperação e Resiliência”, também nesta terça-feira, que promete tornar mais robustas, “em vários domínios” as “estruturas, infraestruturas e comunidades para eventos extremos”.

Durante várias semanas, o grupo de trabalho parlamentar, constituído por representantes dos partidos com assento na Assembleia da República, ouviu várias entidades, como a Direção Executiva do SNS, a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Hoje, precisamente um ano depois do episódio, o grupo de trabalho sobre o apagão apresenta o seu relatório final onde são propostas várias medidas ao executivo.

Segundo um relatório preliminar a que a agência Lusa teve acesso, o grupo de trabalho sugere que o Governo “estabeleça, por via legislativa ou regulatória, requisitos mínimos de autonomia energética para infraestruturas críticas”, como “hospitais, centros de saúde, lares e estruturas de emergência”.

Com base também nas recomendações da ENTSO-E (Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade), esses requisitos mínimos deverão ser de pelo menos 72 horas para as infraestruturas mais críticas e não inferiores a 24 horas para as restantes.

Os limites de armazenamento de combustível nestas infraestruturas e no retalho alimentar também foram analisados. O grupo defende a revisão do atual limite de 500 litros, considerando-o insuficiente “para um evento prolongado, quando outros países europeus permitem até 3.000 litros”, segundo a Lusa.

O grupo propõe ainda “a integração formal do retalho alimentar e das farmácias no quadro das infraestruturas críticas”, bem como “a revisão da Rede Estratégica de Postos de Abastecimento (REPA), incluindo a capacidade técnica dos postos, o alargamento do acesso a entidades críticas não contempladas e a definição de protocolos prévios, testados e coordenados, para o reabastecimento de combustível a geradores de infraestruturas críticas”.

A morosidade na ativação de muitos procedimentos foi também identificada, levando o grupo a recomendar uma “revisão de critérios” que permita “decisões mais céleres e operacionalmente eficazes em cenários de falha generalizada da rede elétrica”.

O Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança (SIRESP) foi igualmente escrutinado, tendo sido recomendada a “revisão estrutural da sua arquitetura” e o desenvolvimento de um “mecanismo de alerta e comunicação de emergência independente das redes comerciais”.

O relatório inclui ainda recomendações para a proteção dos consumidores, defendendo a “revisão do regime de compensação por interrupção do fornecimento elétrico”, decisões mais rápidas por parte da ERSE e a realização de um cálculo dos prejuízos causados.

No que diz respeito à segurança e operação do sistema elétrico, o grupo de trabalho propõe a “extensão dos requisitos de controlo de tensão às centrais renováveis existentes”, a “monitorização do sistema elétrico e do controlo de tensão na rede”, a “revisão dos planos de defesa do sistema para cenários de sobretensão” e a “conclusão e publicação do estudo de custo total do sistema (Total System Cost) como instrumento de política energética”.

Em novembro do ano passado, o Governo criou o Centro de Operações do Governo (CORGOV), aprovando um manual que define o processo de coordenação política e de comunicação a seguir, tendo em conta que não existia qualquer plano de ação para “crises graves”. O ministro da Presidência chegou mesmo a descrever a atuação do Governo nos primeiros minutos como baseada na “intuição” e no “conhecimento”, recorrendo às rádios para as primeiras comunicações porque não havia planeamento.

O grupo parlamentar também apresentou recomendações relativas a esta estrutura, sugerindo que o Governo apresente à Assembleia da República um relatório sobre a operacionalização do CORGOV.

Estas e outras propostas serão agora avaliadas pelos grupos parlamentares, sendo que o relatório ainda poderá sofrer alterações.

Várias falhas levaram ao apagão

O relatório técnico sobre o apagão,divulgado a 20 de março deste ano, concluiu que a origem do incidente esteve em Espanha, e não foi provocado apenas por uma causa única e sim pela soma de várias falhas que se retroalimentaram em menos de 90 segundos.

A análise, descrita em mais de 400 páginas, e explicada pela Euronews ao detalhe, identificou uma sucessão de falhas técnicas associadas a um controlo de tensão insuficiente e reconstitui o colapso com uma precisão de milissegundos.

No minuto antes do colapso, a tensão começou a subir em vários nós da rede elétrica espanhola e, paralelamente, a produção das grandes instalações de energias renováveis, com uma capacidade superior a 5 megawatts, diminuiu cerca de 500 megawatts.

Esta redução da potência ativa, em centrais que funcionam com um fator de potência fixo, arrastou também para baixo a potência reativa que estes geradores absorviam da rede o que fez com que a tensão subisse ainda mais.

Pouco tempo depois, um transformador de uma subestação na zona de Granada disparou a sua proteção contra a sobretensão.

Perante estas conclusões, o Governo português remeteu para a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) “a avaliação das consequências e a definição do enquadramento legal para eventuais compensações, sublinhando que a natureza extraordinária do evento poderá limitar indemnizações”, lê-se no comunicado do executivo do dia 20 de março.

“Agora é o momento de o regulador nacional fazer a sua avaliação e indicar o caminho a seguir em relação às compensações”, acrescentou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Fonte: Euronews Portugal

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Apagão: Governo assegura já ter adotado grande parte das recomendações

Na sequência do apagão de 28 de abril de 2025, foi criado pelo Governo o GAT, que é formado por 10 especialistas e académicos na área da energia, que analisaram e compilaram propostas para aumentar a resiliência do sistema elétrico

A ministra do Ambiente e Energia assegurou esta segunda-feira, em Lisboa, que a maior parte das recomendações do Grupo de Aconselhamento Técnico (GAT) na sequência do apagão se traduz em princípios de boa governação, que já foram adotados.

“A maior parte destas são princípios de boa governação, que sempre usámos. Este [relatório] é aplicado a um dos sistemas elétricos mais complexos que temos. Como qualquer sistema complexo de engenharia, requer uma grande análise técnica e científica na base das decisões”, afirmou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em Lisboa, na apresentação do relatório produzido pelo Grupo de Acompanhamento Técnico (GAT).

Na sequência do apagão de 28 de abril de 2025, foi criado pelo Governo o GAT, que é formado por 10 especialistas e académicos na área da energia, que analisaram e compilaram propostas para aumentar a resiliência do sistema elétrico.

A governante sublinhou que a base de decisão política assenta na componente científica e técnica, mas também em princípios éticos e constrangimentos orçamentais.

“É desta equação que sai a nossa decisão. Isto vem em linha com as decisões que aplicamos”, acrescentou a ministra, notando que não existe um calendário para a aplicação das recomendações hoje apresentadas porque é preciso seguir esta linha.

O Grupo de Aconselhamento Técnico (GAT) concluiu que o sistema elétrico nacional apresenta níveis de segurança e robustez consideráveis, mas defendeu ser necessário investimento e inovação perante um contexto que é complexo.

“O sistema elétrico nacional apresenta atualmente níveis de segurança e robustez consideráveis. Não obstante, é fundamental continuar a promover investimento, desenvolvimento e inovação a vários níveis, face a um contexto de setor mais descentralizado, integrado e complexo”, apontou, no relatório hoje divulgado.

O GAT estruturou o seu trabalho em cinco domínios críticos de atuação, que cobrem as principais dimensões do sistema elétrico nacional, nomeadamente governança e regulação, modelo de planeamento, arquitetura do sistema, requisitos de geração e componentes da rede, digitalização e monitorização, soluções de mercado e serviços de sistema.

Os especialistas concluíram que a governação e regulação foram concebidas para um sistema elétrico “centralizado e pouco digital”, sendo agora importante preparar o futuro num contexto de descentralização e digitalização, mas também de independência, sobretudo a nível ibérico, mas também europeu.

Do GAT fazem parte Ana Estanqueiro, António Vidigal, Clara Gouveia, Hugo Carvalho, João Peças Lopes, Jorge Sousa, Jorge Vasconcelos, Pedro Carvalho, Pedro Sampaio Nunes e Vítor Santos.

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Sismo nos Açores

O IPMA registou um sismo de magnitude 3.2 (Richter) na Terceira, com epicentro a cerca de 10 km a Este de Santa Cruz.
Não foram reportados danos pessoais ou materiais, mas foi sentido com intensidade III/IV nas freguesias de Cabo da Praia e Praia da Vitória.

Fonte: https://sapo.pt/artigo/aviso-de-sismo-sentido-no-arquipelago-dos-acores-24-04-2026-13-31-2026-04-24-13-69eb8bc76502b3e81c2cd86c